quinta-feira, 11 de junho de 2009

044

a musica lenta e melodiosa vai-me embalando
há uma semana que saio todos os dias
há uma semana que quase não dormo
há uma semana que não aparecia em casa

dou por mim a pensar
em tudo que ontem lhe queria ter dito
nos ciumes com que fiquei
e como estava bonito

dou por mim a dizer-te que tenho saudades
a dizer-te que me fazes muita falta
dou por mim a chamar-me burro
e a arrepender-me de tudo o que digo

tenho adiado os estudos
os cigarros
e as fodas
adiei tudo isto para nada
deixei cigarros a metade por algo que não veio

estava ele ocupado

043

ontem fui á vaca, nunca la tinha ído, mas adorei!
chemos eram cerca das nove, fomos jantar num restaurante/tasca/snack bar qualquer, e depois iamos comprar bebidas, tal não aconteceu dado que o modelo estava fechado. portanto teriamos que cravar ou simplesmente comprar como pobres que somos!
tudo começou com uns shots de ginga, passou para as goladas de cerveja e de vodka.
é assim que a vaca é... muito alcool as ruas cheias e música do mais medo que há pela varias ruas daquela cidade. enquanto dançavamos, estavamos sempre de olho... por incrivel que pareça, muita gente bonita! apôs umas trocas de olhares fui dar uma volta com o tipo, vim a saber no fim que se chamava rui. o rui era dono de um ruizão :)
fomos os dois beber uns copos enquanto o resto continuava na caça. depois de muitos copos fomos para dentro de uma igreja qualquer, para dentro de um confecionário penso eu. la dentro claro, rezamos imensoooo até que o meu telefone toca! atendo rapidamente para que o som não se propague naquela igreja penso eu vazia. era a sara a dizer-me que já ia e que se queria boleia tinha que ir agora. eu como depois da foda não ia ficar em ponte de lima a fazer nada naquele medo, decidi ir. foi ai que ele me perguntou o nome. desta vez não estive com merdas e disse como me chamava. foi ai que ele disse rui, e foi também ai que pensei ruizão ruizão, deveria acabar isto. mas não, fui-me dando-lhe o meu numero á pressa! fui ter com a sara mas antes de ir tinha que dizer olá, primeiro a um erro de casting, depois a uma futura queca que também irá foder o erro de casting; olás ditos e adeus também fomo-nos para o carro. na viagem estivemos a falar das aventuras daquela noite, estava eu a dizer que comi um rui, olhos azuis, bom corpo, patati patata ate que a mafalda me pergunta:
-ele não tem um sinal perto do umbigo?
-sim, como caralho sabes?
-ele é meu primo pereira!!
foda-se, quem te falta comer caralho?
-imensa gente, mas não te preocupes que não seremos primos, eu não casarei com ele!
-tambem não podes!

quarta-feira, 10 de junho de 2009

042

'agora sou mais eu'

segunda-feira, 8 de junho de 2009

041

"Deitados nos lençóis, com as pernas entrelaçadas. Pelo com pelo. Boca com peito. Unha com a frisura do dedo. Cada erecção; cada fugacidade gemida, tremida e até evitada; cada movimento circular efémero, e o nojo repulsivo que se segue – trouxeram-te para os meus braços; espremido. Não falo de orgasmos, mas do destino. Nos lírios brancos vejo que fomos fornicados um para o outro. Amo-o com cada nascer e descansar do sol. Cada curva sua, cada sorrir, cada pestanejar prolongado, cada badalhoquice, me faziam sorrir, com o resto dos sinais em câmara lenta. Os pássaros cruzavam os céus e as migalhas na rua levantavam voo, mas era tudo em câmara lenta. Sorria esboçadamente quando pensava na pirueta que era o nosso regresso. Braço com costas. Olho com nariz. Cabelos com mãos. Abraço eterno. Cálice de volúpia. Amo-o aqui e no erguer do solo desta cinzenta cidade. Está tudo capaz de se destruir. Casas inclinam-se, flores murcham e as andorinhas já partem. Mas naquela nossa manhã, quando tivermos o nosso barco, duas andorinhas vão poisar na nossa proa. 5000 milhas terão passado. E o cheiro será de martini e cerveja indeferidas. Estômago com intestinos. Vómito com libido. Peito com peito. E ao nosso lado estarão as andorinhas azuis, e nós deitamos numa cama de lótus vermelhas, na nossa deambular ressaca, um sobre o outro. Os teus pêlos contra o meu desejo e teimosia de te querer comigo todos os dias. Um dia as nossas escovas de dentes estarão no mesmo copo, assim como as serpentes trocam de pele. E eu estimulo-me deliciosamente, sobre estes lençóis brancos. Janela aberta que recebe a luz dos candeeiros e ainda consigo ver nos lírios brancos, enquanto te escrevia todas estas notas, palavras, divagações. Para algumas moralidades insossas pode parecer pouco sincero, mas nós sempre fomos desprovidos de ideias pré-concebidas. E que importa isso quando temos o nosso barco?

Assim e aqui me masturbo, amor da minha vida




.mês de Junho.

(deixei-lhe esta nota, e ele colou-a ao lado de um preservativo com a meita de cravinho dele)"


.dela para e sobre ele

domingo, 7 de junho de 2009

040

entre toda aquela suposta euforia,
entre todo aquele alcool,
que já não nos fazia ser-mos nós
entre aquela música
sentia flaches de melancolia.

entre toda aquela dança
e os corpos suados
sentia saudades tuas, e de te ter

desejei estar dentro de ti
mesmo quando me estava a vir dentro de um tipo qualquer
esse tipo que conheci ontem mesmo
no meio de todos aqueles corpos
era um belo tipo
o alcool tornava-o um belo tipo!

os pasmos rasgados de vozes
os corpos retrocidos naqueles segundos
fizeram-me perceber,
nunca valeu a pena!

noites perdidas,
assim como as palavras
que as deixei levar por um sufoco,
que não percebi o que era
e o que me estava a fazer.

porque nunca me disseste nada?
o segredo tomou as nossas palavras
e o silêncio o nosso coração

por entre todo aquele fumo dos cigarros deixados a meio
por entre aquele suor dos corpos enquanto dançam
por entre aquelas bocas que se consomem
aquelas mãos que se penetram
a melancolia vai-se
deixo-me tomar por toda aquela droga
é só mais um noite
desprendo-me do meu corpo
tomem-no
é, e sempre foi vosso!

039

estou oficialmente em banho maria!

sexta-feira, 5 de junho de 2009

038

queria poder escrever sobre amor
sobre aquele tipo que me pôs em banho maria
sobre aquela mulher que divide o meu coração

queria saber falar sobre mim
sobre os sentimentos
sobre como não o quero perder e como o adoro.
queria saber dizer-lhe como ela me completa e me faz ser um!

queria poder perceber-me!
perceber o que sou, o que fui e o que um dia serei
queria perceber o que és para mim, o que para ti sou.
queria dizer aquela mulher de lábios vermelhos que beija como ninguem

queria tentar amar
tentar ser inundado por aquele sentimento que nos faz não precisar de nada mais!
queria tentar dizer-te que me quero entregar e que és o homem da minha vida!
mas...

o homem da minha vida não tem pila nem barba
o homem da minha vida tem os seios mais belos do mundo
ele é mulher
nome de mulher tem, assim como o seu sexo

nunca nos consumimos
mas o nosso sexo não é consumivel
porque, nascemos em sexos errados
porque o amor é muito mais que dois corpos
e por muitas piças que façam parte da minha vida
tu serás a única!